Cigarro, bebida, vela, tábua, ponto riscado, ponteira…..Para quê tudo isso?


[Por mãe Barbara de Iansã] Quero contar um caso hoje que acho que pode ser ilustrativo para explicar um tema bem interessante.

Há um tempo atrás foi gira de cigano, com descarrego de caboclos aqui no Tufiz, e eu fiquei muito feliz porque recebi como convidados para trabalhar na gira dois médiuns que tenho muito carinho na vida.

Vieram de uma raiz universalistas e são bem responsáveis com suas mediunidades, porém um deles tem muito questionamento sobre o uso das ferramentas tradicionais das entidades. Alega que, como trabalham com energia, eles não precisam utilizar todas as parafernálias como o fumo, o álcool, o ponto riscado, a vela e etc.

Bem, o caboclo dele fez um descarrego pesado, muito pesado, e então o médium começou a ter dificuldades em aguentar o “peso” do caboclo “carregado” com as energias.
Foi então que Beira Mar, fofo como ele é, disse à um cambone: “exa, pegue um toco (vela) branca para o caboclo exa. Cavalinho do caboclo, exa, deixa ele trabalhar no toquinho, exa, não seja teimoso”.

E então a magia aconteceu.

Eu sou clarividente, mas claro que a minha clarividência ainda está em processo de amadurecimento porque eu sou medrosa (sim, eu sou medrosa e tenho medo quando estou no banheiro de madrugada , acendo a luz e a Maria do Cais está parada na porta me esperando pra conversar rs), porém quando estou incorporada, e sou médium consciente, eu enxergo tudo como as coisas realmente são. As entidades me dão confiança para não sentir aquele medo enraizado que ainda tenho, mesmo depois de tantos anos convivendo com o dom.

Então quero contar o que eu vi e depois o que o médium me descreveu no dia seguinte.

Eu vi que as energias que o caboclo tirava dos assistentes iam “sujando” a sua roupa perispiritual. Depois de um tempo, havia tanto “piche” energético nas roupas e no seu cocar que aquilo começou a ficar pesado, como se o caboclo estivesse carregando peso.
Ele não poderia soltar aquilo para dentro da gira porque estaria “ressujando” o que havia sido limpo.
Ele queria subir, mas Beira Mar mentalmente disse à ele: “deixa o cavalo sentir o peso da responsabilidade que um médium tem”.
O caboclo concordou. O médium agachou no chão e começou a suar e a apresentar sintomas de que ia desincorporar, mas o caboclo segurou.
Logo ele pegou a vela acesa e imediatamente ele conseguiu levantar. A chama daquela vela transformava em vapor toda aquela sujeira grudada nas roupas.
Ele foi para o meio do terreiro, para a firmeza, de onde emana energias das armas de Iansã e Ogum, donos da casa, e transformou aquele vapor em algo parecido com flechas, e portando aquelas flechas, começou a atirá-las em direção ao céu.
E então as energias foram devolvidas, neutralizadas, para a natureza. O caboclo se levantou, cumprimentou o Beira Mar e foi ao Oló. O médium, então, estava suado mas se sentindo leve como uma pluma.

No dia seguinte, o médium veio falar comigo. Disse que sentia que a cada carga que o caboclo puxava era como se pesos fossem amarrados em seus braços e pernas, e que quando aquela vela estava nas mãos do caboclo, era como se todo o peso tivesse sido puxado para a vela.
Que viu uma marca energética no chão que se parecia com um desenho de flechas e sentiu que toda aquela energia estava sendo redirecionada para a natureza. Não densa e desequilibrada, mas sim sutil e harmoniosa.

Conseguem entender agora para quê servem os elementos que as entidades usam?

Pode parecer bobeira, mas a chama da vela, em escala astral, é como uma fogueira de fogo transmutador.
A fumaça do fumo no mundo astral é como um vapor de limpeza de miasmas vindos diretamente de dentro de uma cabana xamânica.
Os pontos riscados são como portais que trazem, para dentro da gira, a luz do campo de força de cada trabalhador, seja ele o mar, a mata, o rio, o cemitério.

Sugiro um exercício para vocês.

Tentem, durante uma gira, fechar seus olhos, sentir o coração que palpita na batida do atabaque e tentem ver, com os olhos da alma, cada ponto energético de cada elemento de cada entidade ali trabalhando.

Eu acredito no potencial de vocês e tenho certeza que mais cedo ou mais tarde conseguirão enxergar, e, quando isso acontecer, se maravilhem com as luzes e cores de todas as energias sutis de amor que emana de cada trabalhador da Aruanda. Vale a pena!

Deixo minha alegria de saber que eles estão aqui para nos ajudar a entender muito mais nós mesmos do que conseguimos imaginar, e meu axé bem grande, a força de mãe Iansã e de pai Ogum.